Para onde vai o ordenado?
Ao fim do mês há sempre uma parte do ordenado que ninguém sabe explicar. Indique-se o rendimento, as despesas fixas, as variáveis e a poupança, e vê-se o que resta por atribuir.
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O que sobra por atribuir
Com 2 000 € de rendimento, 1 000 € de despesas fixas, 600 € de variáveis e 200 € de poupança, ficam 200 € por atribuir. As quotas são 50%, 30% e 10%.
Esses 200 € não são dinheiro a mais. Quase sempre são despesas que não foram escritas: o café, o estacionamento, a farmácia, a subscrição que se renova sozinha. O valor por atribuir mede sobretudo aquilo que o orçamento ainda não vê.
Os 200 € de poupança dão 2 400 € ao fim de um ano — sem juros, que esta página não calcula.
Fixa não quer dizer sempre o mesmo valor
É aqui que a maior parte dos orçamentos se engana. A DECO define as despesas fixas como as que têm de ser sempre realizadas, embora o seu montante possa alterar-se ao longo do tempo. Ou seja: o que define uma despesa fixa é ser inevitável, não ser constante.
A fatura da eletricidade muda todos os meses e continua a ser fixa. A prestação de um crédito com taxa variável muda quando o indexante muda e continua a ser fixa. Já o jantar fora é variável mesmo que aconteça religiosamente todas as sextas-feiras.
A pergunta certa não é «é sempre o mesmo valor?», mas «posso deixar de a pagar no mês que vem?».
Dois eixos, um campo
Vale a pena saber o que esta página simplifica. A DECO classifica as despesas de duas maneiras ao mesmo tempo: necessárias contra supérfluas — bens e serviços essenciais contra os que servem para satisfazer desejos — e fixas contra variáveis.
São eixos independentes, e por isso uma despesa ocupa uma de quatro caixas, não uma de duas. A alimentação é necessária e variável. Uma subscrição de televisão é supérflua e fixa. O IUC é necessário e fixo, ainda que se pague uma vez por ano.
Este formulário só tem um eixo, o da regularidade, porque é o que a aritmética partilhada suporta. Ao preencher, escolha-se a regularidade e deixe-se a outra pergunta para a leitura: uma quota de fixas alta não é má em si — é má se muitas dessas fixas forem supérfluas, e é sobretudo rígida, porque é a parte do orçamento que não se corta de um mês para o outro.
As metas são suas
Os 50 e os 30 que aparecem por omissão são um ponto de partida e nada mais. Não existe regra portuguesa que reparta o ordenado por percentagens, e a página não finge que existe.
Quem paga renda em Lisboa dificilmente mantém as fixas em 50%, e isso não é um erro de gestão. Mexa-se nas metas até refletirem a casa que se tem: o que resta das duas é o que fica para poupar.
O ano tem catorze meses, não doze
Um aviso sobre o horizonte. Este formulário é mensal, e os subsídios de férias e de Natal não estão espalhados pelos meses — entram inteiros quando chegam. Um orçamento anual distribui-os; aqui, o número da poupança ao fim de um ano multiplica simplesmente por doze.
Do mesmo modo ficam de fora as despesas que não são mensais: seguros pagos de uma vez, IUC, inspeção, revisões. Não estando previstas, aparecem como surpresa — e a surpresa costuma sair da parte por atribuir.