Quanto rende mesmo uma casa arrendada?
A rentabilidade de um anúncio é a renda a dividir pelo preço, e mais nada. Junte-se os custos de aquisição, os meses sem inquilino, o IMI e os juros, e o que sobra é o número que conta.
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Fórmula
O número do anúncio e o outro
Um imóvel de 200 000 € arrendado por 1 000 € por mês rende 6% bruto. Juntando 14 000 € de custos de aquisição, um mês vago, 1 800 € de despesas e 400 € de IMI, a rentabilidade líquida cai para 4,11%.
Parte da queda vem das despesas e outra parte do denominador: a bruta divide por 200 000 € e a líquida por 214 000. Os dois números não se comparam termo a termo.
Em Portugal costuma dividir-se pelo preço, e aqui não
Vale a pena saber, porque muda o número que se lê. As fontes portuguesas escrevem rentabilidade líquida = rendimento anual líquido antes do crédito ÷ preço de compra — ou seja, mantêm no denominador o mesmo preço da bruta e descontam os custos apenas ao rendimento.
Esta página faz o contrário: põe os custos de aquisição no denominador, porque saem na compra e não voltam na venda. É também assim que se calcula nos Países Baixos e na Noruega. Já a Itália segue a convenção portuguesa, e na Polónia as fontes dividem-se.
Nenhuma das duas está errada. O que interessa é saber qual usa o número que se está a ler: com a convenção portuguesa, a rentabilidade líquida deste exemplo seria mais alta do que a apresentada aqui.
Um mês sem inquilino
Um mês vago tira 1 000 € às rendas: 11 000 € recebidos em vez de 12 000. É a diferença entre a rentabilidade de um anúncio e a de um senhorio, e é a rubrica que as contas rápidas esquecem primeiro.
Os juros no fluxo de caixa e no IRS não são a mesma coisa
Com 140 000 € de crédito a 3,6%, os juros são 5 040 € por ano. Descontados ao rendimento líquido de 8 800 €, sobra um fluxo de caixa de 3 760 € por ano, ou 313,33 € por mês.
Aqui há uma armadilha portuguesa que convém não confundir. Na categoria F do IRS deduzem-se despesas como o IMI, o condomínio, obras de conservação e o seguro; os encargos financeiros não são dedutíveis. Ou seja: os juros saem da conta todos os meses, mas não reduzem a matéria coletável.
Esta página calcula caixa, não imposto. Por isso desconta os juros — e por isso mesmo o seu resultado não deve ser levado para a declaração.
Note-se ainda que a amortização de capital não conta aqui, apesar de sair da conta todos os meses. O fluxo apresentado mede o que o imóvel gera antes de amortizar, não o que fica.
Retorno sobre o capital próprio
É o número que responde a «quanto rende o meu dinheiro», e não a «quanto rende o imóvel». Divide o fluxo de caixa pelo capital próprio mais os custos de aquisição, porque ambos saem do mesmo bolso e nenhum volta na venda.
Sobe sozinho quando o capital próprio desce, o que é a definição de alavancagem — e ao mesmo tempo a razão para o ler ao lado da rentabilidade líquida e não em vez dela.