Calculadora de crédito para estudos
Em Portugal, endividar-se para estudar é a exceção. A propina do ensino superior público está limitada por lei e as bolsas de ação social cobrem muitos estudantes — mas para mestrados, escolas privadas ou viver deslocado, o empréstimo existe.
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Fórmula
Antes do empréstimo vem a bolsa
A propina máxima do 1.º ciclo no ensino superior público está fixada por lei e ronda os 700 euros anuais — um valor muito abaixo do praticado na generalidade dos países com sistemas de crédito ao estudante desenvolvidos.
A bolsa de ação social atribuída através da DGES depende do rendimento per capita do agregado familiar e pode cobrir a propina e ainda um complemento de alojamento para estudantes deslocados. Existem também bolsas de mérito e apoios das próprias instituições e dos municípios.
Candidatar-se é a primeira coisa a fazer, e o prazo é curto. Muita gente não se candidata por assumir que não tem direito.
O custo real é viver fora de casa
A propina raramente é o problema. O que pesa é o alojamento em Lisboa, Porto ou Coimbra, onde um quarto pode custar mais por mês do que a propina anual inteira. Some alimentação, transporte, material e deslocações a casa.
É por isso que a decisão financeira mais consequente de um estudante português não é qual o curso, mas se estuda deslocado ou não.
Empréstimos com garantia mútua
Existe uma linha de crédito para estudantes do ensino superior com garantia mútua, que permite obter financiamento sem apresentar fiador nem garantias reais, com spread limitado por protocolo. Está pensada para propinas, mestrados, programas internacionais e despesas de subsistência.
A estrutura habitual é: utilizações durante o curso, um período de carência em que não se amortiza capital, e o início do reembolso algum tempo depois de terminar os estudos.
Onde se decide o custo: a carência
Durante o curso e o período de carência, a dívida não fica parada. A questão a colocar ao banco é direta: durante a carência pago os juros ou eles são capitalizados?
Se forem capitalizados, somam-se ao capital e passam a gerar juros também. Ao fim de cinco anos entre curso e carência, a diferença entre pagar os juros à medida e deixá-los acumular ultrapassa facilmente 15% do capital.
Pagar mesmo poucos euros por mês durante o curso reduz sensivelmente a prestação futura.
Taxa fixa ou variável
A maioria destes créditos é indexada à Euribor com spread. Num plano que começa a amortizar daqui a cinco anos e dura mais dez, uma subida de taxas apanha-o no momento em que a dívida está no máximo. Se lhe derem a escolher, o fixo custa pouco mais e elimina a única variável que não controla.
Amortizar cedo compensa
No início do reembolso quase toda a prestação são juros, e uma amortização nessa fase elimina juros de muitos anos. No crédito ao consumo, a comissão de reembolso antecipado está limitada a 0,5% se faltar mais de um ano e a 0,25% se faltar menos — o que torna a operação quase sempre vantajosa.
Perguntas frequentes
É preciso pedir empréstimo para estudar em Portugal?
Raramente para uma licenciatura pública, onde a propina máxima ronda os 700 euros anuais. É mais frequente em mestrados, ensino privado ou para viver deslocado.
Quem tem direito a bolsa?
Depende do rendimento per capita do agregado familiar. A candidatura faz-se através da DGES e pode incluir complemento de alojamento para deslocados.
Preciso de fiador?
Na linha de crédito com garantia mútua não, porque a garantia é prestada por uma sociedade de garantia mútua ao abrigo do protocolo.
O que é o período de carência?
O tempo entre a utilização do crédito e o início do reembolso de capital. Se os juros forem capitalizados nesse período, a dívida final é maior do que o valor recebido.