Calculadora do custo de carregamento
Carregar em casa e carregar num posto rápido são realidades de preço completamente diferentes. Em Portugal há ainda uma particularidade: na rede pública, o preço que paga tem várias componentes de operadores distintos.
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Fórmula
Em casa: use o preço total da fatura
O que paga por kWh não é a tarifa de energia. À energia somam-se as tarifas de acesso às redes, a taxa de exploração da DGEG, a contribuição audiovisual e o IVA.
Divida o total da fatura pelos kWh consumidos no período. É o único valor comparável com o preço de um posto público ou com o custo por 100 km de um carro a combustível.
O IVA sobre a eletricidade tem uma taxa reduzida aplicável a uma parte do consumo em potências contratadas mais baixas, o que na prática torna o preço médio dependente também de quanto consome.
Tarifa bi-horária muda a conta
Com tarifa bi-horária, a eletricidade em vazio — noite e fim de semana — custa bastante menos do que em horas de ponta. Para quem carrega o carro em casa durante a noite, mudar de tarifa simples para bi-horária é frequentemente a alteração isolada com maior efeito na fatura.
A potência contratada também importa: carregar a 7,4 kW enquanto funciona o forno e a máquina de secar pode disparar o disjuntor. Aumentar a potência resolve, mas sobe a componente fixa da fatura todos os meses. Muitas vezes é preferível carregar mais devagar durante mais horas.
Na rede pública, o preço tem três parcelas
Na rede de mobilidade elétrica nacional, o valor final combina o que cobra o operador do ponto de carregamento, o que cobra o comercializador de eletricidade para mobilidade com quem tem contrato, e a tarifa de acesso às redes aplicável.
Isto explica por que razão dois carros ligados a postos idênticos podem pagar valores diferentes: depende do cartão que cada um usa. Vale a pena comparar comercializadores em função dos postos que utiliza habitualmente.
Carregamento rápido é bastante mais caro
Um posto rápido em autoestrada custa por norma várias vezes o preço do carregamento doméstico. Em viagens longas, o custo por 100 km aproxima-se do de um carro a gasóleo eficiente. Quem faz sobretudo percursos urbanos e carrega em casa continua a poupar muito.
Inverno e autonomia
No frio, a autonomia cai tipicamente 10% a 25%, menos do que em países nórdicos mas ainda assim relevante. O pré-aquecimento com o carro ligado à tomada usa energia da rede em vez da bateria — é o gesto mais eficaz e o mais esquecido.
Condomínios: existe um direito
A lei portuguesa prevê o direito de instalar um ponto de carregamento no lugar de estacionamento em propriedade horizontal, mediante comunicação à administração do condomínio e com o custo a cargo do interessado. O condomínio não pode simplesmente recusar sem fundamento, embora possa propor uma solução coletiva.
Uma instalação partilhada com gestão de carga costuma ser mais barata por lugar e evita sobrecarregar a alimentação do edifício.
Perguntas frequentes
Quanto custa carregar em casa?
Divida o total da fatura pelos kWh consumidos. Com tarifa bi-horária e carregamento noturno, o custo por 100 km fica muito abaixo do de um carro a combustível.
Porque pago valores diferentes em postos iguais?
Porque o preço final combina o operador do posto, o seu comercializador de mobilidade elétrica e as tarifas de acesso às redes.
Vale a pena mudar para tarifa bi-horária?
Para quem carrega o carro durante a noite, é normalmente a alteração com maior efeito na fatura.
O condomínio pode impedir a instalação?
Não sem fundamento. A lei prevê o direito de instalar um ponto no lugar de estacionamento, com o custo a cargo do interessado, mediante comunicação à administração.