Calculadora do ponto de equilíbrio
O ponto crítico é o número de unidades a partir do qual o negócio deixa de perder dinheiro. Depende de três valores, e a dificuldade não está na conta — está em classificar bem os custos.
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Fórmula
Custos fixos e variáveis
Variáveis: matéria-prima, embalagem, portes, comissões de plataforma, taxas de pagamento — tudo o que cresce com cada venda.
Fixos: renda, contabilista certificado, seguros, software, licenças, salários não ligados à produção.
A margem de contribuição é o preço menos o custo variável unitário: o que cada unidade deixa para pagar os custos fixos. Custos fixos a dividir por essa margem dá o número de unidades necessárias.
Trabalhe sempre sem IVA
Se estiver registado, o IVA é uma conta de passagem e sai de ambos os lados. Se estiver no regime especial de isenção, não liquida IVA mas também não o deduz — e nesse caso os custos entram com IVA incluído, porque é isso que paga de facto.
Misturar os dois critérios torna todo o cálculo inútil.
As contribuições para a Segurança Social são variáveis
Ao contrário de vários países europeus, Portugal não impõe uma contribuição mínima fixa aos trabalhadores independentes independentemente do que faturam. A contribuição incide sobre uma base determinada a partir do rendimento relevante, apurada trimestralmente.
Isso significa que é um custo proporcional, e entra nos custos variáveis quando calcula quanto tem de faturar para ficar com um determinado valor líquido. É uma diferença estrutural importante face a modelos com quotas fixas.
Há também isenção de contribuições nos primeiros doze meses de atividade em determinadas condições — o que baixa o ponto crítico do primeiro ano e o volta a subir no segundo. Planeie para o segundo ano, não para o primeiro.
O seu trabalho é um custo
Num negócio em nome individual não recebe salário: retira o resultado. Mas o seu tempo tem valor alternativo, e um ponto crítico que pressupõe trabalho gratuito não mostra se o negócio se aguenta.
Inclua uma remuneração realista para si nos custos fixos. Se com isso o ponto crítico ficar acima do que consegue vender, a conclusão é sobre o negócio, não sobre o seu esforço.
O preço é a alavanca mais forte
Com preço 40 e custo variável 24, a margem é 16. Subir o preço para 44 leva-a a 20 — o ponto crítico cai 20%. Reduzir o custo variável em 5% leva a margem a 17,20 e o ponto crítico cai apenas 7%.
Em produtos de margem apertada, o preço é quase sempre a intervenção mais eficaz — e a menos testada.
Margem de segurança e conversão para o dia
A distância entre as vendas esperadas e o ponto crítico diz quanto pode falhar antes de entrar em perdas. Abaixo de 20% é frágil.
E converta o resultado para o dia: 1 100 unidades por mês são 50 por dia em 22 dias de abertura. Se esse número parecer irrealista quando olha para a loja, o problema é o plano.
Perguntas frequentes
Devo usar preços com ou sem IVA?
Sem, se estiver registado. No regime especial de isenção, os custos entram com IVA incluído, porque não o pode deduzir.
As contribuições para a Segurança Social são custo fixo?
Não. Em Portugal incidem sobre o rendimento relevante apurado trimestralmente, pelo que são proporcionais e não uma quota fixa.
Como trato o meu próprio trabalho?
Inclua uma remuneração realista nos custos fixos. Um ponto crítico que assume trabalho gratuito não mostra se o negócio se sustenta.
Que margem de segurança é aceitável?
Acima de 30% dá espaço para uma época fraca. Abaixo de 20% o negócio é frágil a um único mês mau.