Que carro consigo pagar?

A prestação é a parte visível. Em Portugal, o combustível caro, as portagens e a desvalorização costumam somar mais do que ela — e nenhuma dessas três aparece no anúncio do stand.

Os seus dados

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Antes de impostos, total do agregado.

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A recomendação prudente é 10%. Na prática, 15 a 20% é comum.

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Crédito habitação ou renda, créditos a estudantes, cartões.

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O seu resultado

Preço de carro que consegue pagar—
Prestação mensal—
Montante do empréstimo—
Custo mensal total do carro—
Proporção do rendimento bruto—
O que o está a travar—
Fórmula
Custo mensal = prestação + seguro + IUC + combustível + portagens + manutenção + desvalorização.

A desvalorização é a maior despesa

Um carro novo de 30 000 euros vale cerca de 21 000 ao fim de três anos. São 3 000 euros por ano, ou 250 por mês, sem ter percorrido um único quilómetro.

Como nunca chega uma fatura, esta despesa desaparece das contas das pessoas. É simultaneamente a maior e a mais fácil de reduzir: um carro com três anos já sofreu a queda mais acentuada.

Combustível: a maior parte é imposto

No preço da gasolina e do gasóleo, o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, o adicional sobre emissões de CO2 e o IVA a 23% representam bem mais de metade do valor pago à bomba. Variações no preço do petróleo chegam atenuadas ao consumidor; alterações fiscais chegam por inteiro.

Portagens

Numa deslocação diária pela A5, pela A41 ou por qualquer autoestrada de acesso às áreas metropolitanas, as portagens somam facilmente 100 a 200 euros por mês. Para muitas famílias, é a segunda maior rubrica depois da desvalorização.

Os dispositivos de identificação eletrónica e os descontos por frequência reduzem o valor, e há descontos específicos para veículos elétricos em determinadas concessões. Calcule sobre o seu trajeto real, não sobre médias.

IUC e inspeção

O Imposto Único de Circulação é anual, pago no mês da matrícula, e depende da cilindrada, das emissões e do ano de matrícula. Carros matriculados a partir de 2007 pagam uma componente ambiental que pode ser significativa em motores grandes.

A inspeção periódica obrigatória começa no quarto ano para ligeiros de passageiros e passa a anual a partir do oitavo. É um custo pequeno mas certo, e o que a inspeção reprova costuma não ser.

Seguro

O seguro de responsabilidade civil é obrigatório. Danos próprios num carro novo pode custar o triplo. O prémio depende do escalão de bonus-malus, da idade, do local de residência e do veículo — e em Lisboa e no Porto é sensivelmente mais caro do que no interior.

Manutenção

Revisões, travões, pneus e imprevistos custam tipicamente 500 a 1 200 euros por ano num carro fora da garantia. Reserve um valor mensal para isto: transforma avarias em despesas previstas.

Quanto do rendimento deve o carro ocupar

Uma referência razoável é que o custo total do automóvel não ultrapasse 15% do rendimento líquido. Em Lisboa ou no Porto, com transportes públicos e estacionamento caro, vale a pena fazer a conta de comparação com passe mensal mais serviços de mobilidade — para muitos perfis de utilização, não ter carro é mais barato.

Perguntas frequentes

Quanto custa ter carro por mês?

Some desvalorização, seguro, IUC, combustível, portagens, manutenção e estacionamento. Num carro novo, o total costuma ser o dobro da prestação.

Quanto pesam as portagens?

Numa deslocação diária por autoestrada nas áreas metropolitanas, facilmente 100 a 200 euros por mês. Calcule sobre o seu trajeto real.

Quando é pago o IUC?

Anualmente, no mês da matrícula. O valor depende da cilindrada, das emissões e do ano de matrícula.

Qual a percentagem do rendimento aceitável?

Até 15% do rendimento líquido para o custo total. Nas grandes cidades, comparar com passe e mobilidade partilhada muda frequentemente a decisão.